Per((feito)) pra mim $:




deep-darkpurple:

A compaixão com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana.
-Charles Darwin



(Source: b3cold)



(Source: minhadosedeheroina)



(Source: fuckthecats)


Se eu for embora amanhã

Se eu for embora amanhã, sem bilhete ou despedida, não guarda ódio de mim. Se eu for embora amanhã, eu prometo deixar o café quente e pão fresco em cima da mesa como fiz todos os dias. Se eu for embora amanhã, guarda todos os risos que eu te dei de presente, e guarda as lágrimas num canto escondido do coração pra ele nunca ressecar, mas não deixa tão à vista pra também não te encharcar. Se eu for embora amanhã, não perca o sono imaginando para onde eu fui, o destino alinha meus passos sem avisar mesmo à mim. Se eu for embora amanhã, vai pra praça ouvir os passarinhos, terei te deixado recados nos cantos dele. Se eu for embora amanhã, não me acuse de desamor e ou covardia, a liberdade me tem pra servidão, se é que isso faz algum sentido. Se eu for embora amanhã, te darei um beijo e direi que te amo, mas pode ser que você pense que é sonho (por isso já aviso que sim, fui eu, meu amor). Se eu for embora amanhã, não pense que o tudo que eu disse foi mentira ou em vão, eu prometo eternidade, mas nunca sei do dia seguinte. Se eu for embora amanhã, não me espere voltar, meu caminho é sem curva. Se eu for embora amanhã, me deixa continuar morando no seu coração, no lugar mais bonito que houver nele, mais adornado e perfumado, porque seu peito é casa confortável pra mim. Se eu for embora amanhã, não é por nada, é que tudo passa, até eu, por mais que queira ficar por mais um dia ou dois. Se eu for embora amanhã, se apaixone de novo, acumule amor até transbordar, mas não esquece feito a gente não consegue lembrar de um sonho bom pela manhã ao acordar.

Mas eu não vou embora, não amanhã.

Daniella Leal.


Depois de um dia desbotando o que costumava ser nosso e de passos barulhentos caminhando sobre as nossas cabeças, que o cansaço não nos leve a ceder e a desmoronar pelos cantos da parede fina. Que alguém se disponha a entrar pela porta dos fundos e colorir com um sorriso o dia que finda de forma tão rotineira. Eu vou errar os passos, ainda desta vez e cambalear algumas vezes até acertar o abraço. Mas talvez eu queira estar mais perto e só precise de alguém que não tranque as janelas. Alguém que entenda o meu desapego e que olhe no fundo dos olhos agarrando as palavras soltas que eu não sei dizer. Que eu nunca vou saber dizer, assim como não sei abrir os olhos, não sei ouvir o coração bater acelerado. Não sei assentir e engolir a dor que o medo me causa. Depois de manhãs estáticas encharcando o pouco de nós que fica que saibamos como voltar ao início e descobrir o gosto que o sorriso tem. Que um de nós ainda consiga fechar os olhos e no dar de ombros voltar à parte nossa que nunca se perde, à força silenciosa que coincidiu nossos olhares. Sentir o coração palpitar na ponta dos dedos e no vaivém de cada madrugada encontrar um sorriso de quem quer permanecer.


Por mais que o céu nublado venha ao meu encontro caindo aos pedaços, gotejando nos telhados de uma estrada turva e abandonada. Por mais que o tempo me abandone, eu continuarei. Escreverei nas paredes de almas esquecidas, darei a mão àqueles que não caminham sozinhos e que necessitam de toda a sinceridade que o mundo costuma tirar de nós. Costurarei asas nas costas calejadas e indicarei o caminho da felicidade. “É logo ali, você só precisa seguir em frente e segurar firme na mão do primeiro que cruzar a mesma esquina que você.” Farei chover cores em meio ao pranto desesperado dos guerrilheiros que constroem suas tocas em lugares nunca habitados. Chorarei junto, cada lágrima doerá mais em mim, cada sopro me levará para longe e onde for preciso estar. Estarei presente na hora do primeiro beijo, do primeiro encontro, do primeiro suspiro. Estarei aqui, acolá. Estarei onde ninguém consegue me encontrar. Porque eu sou assim, intensidade extensa e invisível. Eu sou a borboleta no estômago e tudo o que escrevo, tudo o que relato, tudo o que escuto no silêncio. Tudo o que sinto e tudo o que ninguém mais sabe sentir. Por mais que ninguém me veja ou me encontre, por mais que o céu desabe antes de chegar até onde estou, por mais que a estrada seja um círculo contínuo e sem escapatória. Seguirei em frente até esbarrar com o primeiro que cruzar a mesma esquina que eu e sem medo, segurar firme minha mão.


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